A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu uma série de alertas formais para que companhias aéreas tenham “cuidado ao sobrevoar a América Central e partes da América do Sul”. Os avisos, com validade de 60 dias a partir desta sexta-feira (16), citam explicitamente os riscos de “possíveis atividades militares” e “interferência de GPS” no espaço aéreo de países como México, Equador, Colômbia e nações da América Central, além de partes do leste do Oceano Pacífico.
A medida ocorre em um momento de tensões regionais agudas e seguindo ações militares concretas. No final de 2025, o governo do presidente Donald Trump montou uma grande força militar no sul do Caribe, que subsequentemente atacou a Venezuela e prendeu o presidente Nicolás Maduro. Desde então, Trump tem levantado publicamente a possibilidade de novas operações na região, inclusive contra a Colômbia, e, na semana passada, sugeriu que os EUA poderiam atacar alvos terrestres no México para combater os cartéis de drogas, que afirmou estarem “comandando o país”.
O alerta da FAA tem precedente imediato. Após a operação na Venezuela, a agência já havia restringido voos em todo o Caribe, causando o cancelamento de centenas de voos das principais companhias aéreas. O administrador da FAA, Bryan Bedford, disse à Reuters esta semana que houve “boa coordenação” entre a agência e os militares antes daquele ataque.
Além do risco teórico, houve um incidente prático que ilustra os perigos. Em dezembro, um jato de passageiros da JetBlue, um Airbus com destino a Nova York partindo de Curaçao, foi obrigado a tomar “medidas evasivas para evitar uma colisão em pleno ar” com um avião-tanque da Força Aérea dos EUA próximo à costa da Venezuela. O avião militar não tinha seu transponder — equipamento de identificação eletrônica — ativado no momento.
Os novos alertas, portanto, formalizam uma situação de risco operacional elevado para a aviação civil em vastas áreas das Américas, conectando-a diretamente à instabilidade política e às ameaças militares em curso. As companhias aéreas agora devem recalcular rotas, considerar cancelamentos e preparar-se para interferências de navegação em uma região que é um corredor aéreo crucial.