4 de fevereiro de 2026
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CIDADE INTELIGENTE NÃO ENXUGA GELO: soluções de drenagem urbana sustentável em Goiânia

Imagem reprodução

Os alagamentos recorrentes em Goiânia indicam tanto falhas pontuais de manutenção, como esgotamento do modelo de planejamento urbano adotado ao longo das décadas. A cidade teve um incremento da sua população e da sua área construída horizontal e vertical, acarretando uma maior incidência de problemas públicos, como o de drenagem urbana. O desenvolvimento urbano pouco sustentável, que apontou para impermeabilização e adensamento da cidade, impossibilitou a adequação do espaço urbano em relação ao aumento da demanda por infraestrutura de drenagem urbana. A impermeabilização acelerada do solo, especialmente com a expansão viária e imobiliária, contribuiu diretamente para a incapacidade da cidade de absorver as águas da chuva, porque, com a diminuição das áreas de verde urbanizado, tornou-se mais tortuoso o fluxo das águas das chuvas em meio ao labirinto de prédios e avenidas largas, com implicações para segurança e urbanidade da população em alguns espaços públicos e privados, que se tornaram os pontos nevrálgicos da cidade, por risco de alagamentos e deslizamentos.

As mudanças climáticas acarretaram aumentos e diminuições dos ritmos de chuvas previstos para determinados períodos e lugares, tornando as intempéries imprevisíveis ou desproporcionalmente incontornáveis, como ocorreu em Porto Alegre, onde o sistema de diques para contenção de enchentes falhou ou não era compatível com o volume de chuva em 2024. Por isso, é de suma relevância conhecer e divulgar a Agenda 2030 da ONU, cujos objetivos de desenvolvimento sustentável sugerem mudanças de hábitos de vida e consumo. Entre os objetivos sugeridos, temos o de cidade inteligente (ODS 11), que foca em tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, no que visa também uma melhor gestão de recursos e riscos de desastres, referindo-se tanto a temas como moradia, transporte, saneamento, gestão de resíduos, patrimônio cultural, mas também áreas verdes.

É possível adaptar a infraestrutura existente para que não tenhamos de conviver com alagamentos estruturais por muitos anos. Para isso, estratégias de inclusão e visibilização da geohidrografia como elemento paisagístico (jardins de chuva), natural (descanalização de rio), funcional (reuso) e energético (limpa). Isso mesmo, é possível reaproveitar a água da chuva até mesmo como estratégia de drenagem urbana e que ainda favoreça a transição energética. Por exemplo, por meio de microturbinas em tubulações e o uso de materiais piezoelétricos em superfícies, é possível converter a energia cinética das gotas em eletricidade para sistemas menores, sensores ou até mesmo para complementar a rede, unindo gestão de águas pluviais e geração renovável.

As intervenções urbanas que seriam prioritárias e mais eficazes para reduzir os impactos das chuvas, certamente, seriam a combinação da drenagem, áreas verdes, revisão do uso do solo, mudança no modelo viário, mas, principalmente, divulgação científica e educação socioambiental. Somente por meio da conscientização e responsividade cidadã a população poderá se engajar politicamente por meio das ferramentas de controle popular. É por isso que temos atuado por meio do Grupo de Trabalho Goiânia 2030 para trazer orientações informativas sobre tecnologias já disponíveis para que as águas sejam vistas como um aliado e não o inimigo número um das cidades.

 

Dr. Frederico Assis (GYN 2030)

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