O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra posições públicas divergentes quanto à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de irregularidades envolvendo o Banco Master. Em entrevista à CNN Brasil, o deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, declarou nesta terça-feira (29) que atuará para impedir a criação da comissão.
Guimarães argumentou que o escândalo ligado ao banco de Daniel Vorcaro não deve afetar o governo, e que a instalação de uma CPI seria desnecessária, funcionando apenas como uma “plataforma para a oposição”. O parlamentar defendeu que as investigações em curso pela Polícia Federal são autônomas e eficazes, tornando a comissão parlamentar dispensável. A posição final do governo, conforme Guimarães, ainda será discutida com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT).
Esta postura contrasta com declarações recentes de outras lideranças governistas. Na semana passada, Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, afirmou que o governo apoiaria as investigações “custe o que custar” e não se oporia a uma CPI. Além disso, Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, também se manifestou a favor da apuração e chegou a assinar um dos diversos requerimentos de CPI que circulam no Congresso.
Atualmente, três pedidos distintos para a criação de uma CPI do Banco Master já possuem assinaturas suficientes de deputados para serem instalados. Randolfe Rodrigues reiterou seu apoio às investigações nesta semana, especialmente após um adversário político também ter assinado o requerimento, indicando que a pressão pela abertura da comissão é suprapartidária.
A divergência expõe uma tensão no bloco governista sobre como lidar politicamente com o escândalo, que continua a gerar repercussão e demanda por transparência no Congresso.