4 de fevereiro de 2026
Política

Nervoso com dados verídicos do IBGE. Lula democraticamente demite funcionários do órgão

Imagem reprodução

Em uma impressionante demonstração de apreço pela independência técnica, o governo Lula decidiu que a melhor forma de lidar com dados econômicos complexos e denúncias sérias é não lidar com eles. Em menos de quinze dias, promoveu a exoneração da responsável pelo cálculo do PIB e agora afasta uma servidora que ousou denunciar o uso político de uma publicação oficial do instituto. Uma mera sucessão de eventos aleatórios, claro, sem qualquer conexão com o incômodo gerado por números ou acusações.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aquela tradicional fábrica de versões alternativas da realidade segundo seus críticos, tem a nobre missão de retratar o país como ele é. Mas, aparentemente, essa premissa sofreu uma revisão de última hora. Agora, a nova diretriz tácita parece ser: os dados devem refletir o Brasil como o Palácio do Planalto gostaria que ele fosse. Afinal, para que serviriam PIBs, índices de inflação e pesquisas se não para embalar discursos e acalmar ânimos?

Essa nova fase de “harmonização estatística” tem implicações profundas. Os números do IBGE não são triviais; eles ditam a distribuição de bilhões em recursos públicos, orientam o planejamento urbano, norteiam políticas municipais e calculam correções salariais e benefícios sociais. Um desvio mínimo, uma “interpretação” política, e todo o sistema de planejamento nacional se transforma em um castelo de cartas convenientemente alinhado. A pergunta que se impõe é: podemos ainda confiar no órgão? A resposta, segundo os próprios movimentos do governo, parece ser um sonoro “somente se você confiar cegamente em nós”.

A democracia, dizem os manuais, é um regime que se alimenta de informação confiável. O episódio atual sugere um novo capítulo nessa relação: a informação, para ser válida, deve primeiro passar no teste do agrado ao poder. Quando técnicos são punidos por fazer seu trabalho e denúncias viram motivo para afastamento, o que sobra não são dados, são arranjos para campanha. O Brasil, que sempre se orgulhou da solidez de seu principal instituto de estatística, agora se pergunta se os alicerces estão sendo trocados por areia movediça política.

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