O endividamento das famílias brasileiras atingiu 79,5% em janeiro, igualando o recorde histórico de outubro de 2024, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Apesar do alto nível de comprometimento da renda, a inadimplência registrou queda pelo terceiro mês consecutivo, ficando em 29,3%.
💰 Perfil do endividamento
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Renda mais baixa: famílias com até 3 salários mínimos apresentam 82,5% de endividamento;
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Renda mais alta: acima de 10 salários mínimos, índice cai para 68,3%;
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Cartão de crédito é a principal fonte (85,4% das famílias);
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Tempo médio para quitar dívidas: 7,2 meses.
📉 Comprometimento da renda
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Em média, 29,7% da renda familiar é destinada a dívidas;
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19,5% das famílias comprometem mais da metade dos rendimentos;
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12,7% afirmam não ter condições de pagar dívidas atrasadas.
🏦 Impacto dos juros elevados
A Selic em 15% ao ano pressiona as taxas de crédito ao consumidor, dificultando a quitação. A CNC projeta que o endividamento pode chegar a 80,4% até junho, enquanto a inadimplência deve cair para 28,9% com a expectativa de redução da Selic a partir de março.
💬 Análise econômica
O economista-chefe da CNC avalia que “vai levar um certo tempo para que esse desaperto monetário seja sentido no mercado de crédito”, mas prevê que, a partir do segundo trimestre, as famílias já sentirão juros significativamente menores.
A CNC ressalta que o endividamento em si não é negativo – pode aquecer o consumo –, mas torna-se preocupante quando há dificuldade de pagamento, cenário que ainda atinge milhões de brasileiros.