17 de março de 2026
Brasil

Lula conclui apenas 12% das obras de educação. Goiás pode ser impactado por falta de repasses

Imagem reprodução

Dados oficiais do governo federal obtidos pela Folha de S.Paulo e compilados pelo portal Poder Nacional revelam um ritmo lento na execução de obras de educação no país. Do total de 6.227 projetos previstos para a atual gestão, considerando novas construções e retomadas, apenas 12% foram concluídos até o início de março. O cenário acende um alerta para estados como Goiás, que dependem do repasse de verbas federais para concluir creches, escolas e melhorar a infraestrutura de ensino.

PAC da Educação com baixa execução
O principal gargalo está no Novo PAC Seleções, programa que concentra investimentos em novas creches, pré-escolas e escolas de tempo integral. Das 2.443 propostas de obras novas cadastradas em 1.753 municípios, apenas uma foi entregue até agora: uma creche em Assaré (CE). Os dados mostram que 1.069 obras estão em execução, mas 775 permanecem apenas no papel, sem início efetivo das construções. A execução financeira do programa é de apenas 8%, com R$ 1,2 bilhão pagos dos R$ 15 bilhões previstos.

Demanda por creches contrasta com lentidão
A lentidão na entrega contrasta com a alta demanda nacional. Levantamento do Gaepe-Brasil em parceria com o Ministério da Educação (MEC) aponta que, em 2025, mais de 826 mil crianças estavam na fila de espera por uma vaga em creche, e 52% dos municípios brasileiros admitem não conseguir atender a procura por educação infantil.

Retomada de obras paradas também enfrenta obstáculos
Em maio de 2023, o MEC lançou o Pacto de Retomada de Obras Paradas para tentar reverter um passivo de 5.642 construções paralisadas em gestões anteriores. Desse total, 3.783 tiveram interesse de prefeituras e governos estaduais para repactuação. O saldo atual é de 721 obras concluídas, mas 486 seguem paralisadas e 718 foram canceladas. Mais da metade das obras concluídas está concentrada no Maranhão (94), Ceará (78), Pará (78), Bahia (65) e Minas Gerais (51).

Como isso afeta Goiás?
Embora a matéria não especifique dados isolados de Goiás, a situação preocupa gestores locais. O modelo de execução exige que o governo federal repasse a verba enquanto estados e municípios realizam a licitação e tocam as obras. Qualquer atraso no fluxo financeiro ou na burocracia federal impacta diretamente os canteiros de obras goianos, muitos dos quais podem estar na lista de projetos ainda não iniciados ou com ritmo lento.

O que diz o governo
Em nota, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) afirmou que os recursos destinados às obras “contam com garantia orçamentária e seguem o fluxo administrativo regular, de modo a assegurar a correta aplicação do dinheiro público”. O órgão argumenta que a complexidade da retomada exigiu a criação de uma lei específica para permitir novos termos de compromisso e correção financeira dos contratos. O FNDE informou ainda que, no total da atual gestão (incluindo obras não paralisadas), 2.447 obras da educação básica já foram concluídas e 2.904 estão em andamento.

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