Levantamento divulgado nesta terça-feira (24) aponta que o preço do diesel vendido pelas refinarias no Brasil está 74% mais barato do que o praticado no mercado externo. A diferença, que chega a R$ 2,68 por litro, representa uma defasagem histórica e tem gerado preocupações quanto à segurança do abastecimento nos próximos meses.
Os dados são da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), em parceria com a StoneX. Embora o cenário beneficie o consumidor no curto prazo, com preços mais baixos nas bombas, ele prejudica produtores nacionais e inviabiliza as operações de importação, essenciais para suprir a demanda do país.
De acordo com o presidente-executivo da Abicom, Sergio Araujo, o abastecimento para março está garantido devido a compras já realizadas. No entanto, ele alerta que a insegurança para novas importações é grande. “A defasagem muito elevada aumenta substancialmente o risco de operações de importação. Não tendo importação realizada, se potencializa o risco de desabastecimento”, afirmou.
O temor ganha contornos ainda mais graves em meio ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio, região responsável por grande parte da produção global de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do comércio mundial da commodity, segue como ponto de tensão geopolítica.
Araujo explica que a guerra provocou aumento dos preços internacionais, mas a Petrobras, que abandonou a política de paridade de preços, mantém os valores artificialmente baixos no país. A estratégia da estatal tem sido criticada por setores do mercado por comprometer a competitividade e inibir a entrada de novos produtos.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Petrobras não considera, no curtíssimo prazo, um novo reajuste no diesel. Enquanto isso, a Abicom informa que seguirá monitorando a situação junto aos associados. Para abril, a perspectiva já é de um volume reduzido de importações.