Aumento autorizado é o menor em quase 20 anos, mas impacto será sentido principalmente por quem usa medicamentos contínuos para pressão, diabetes e colesterol.
A partir desta terça-feira (3), os preços dos medicamentos no Brasil poderão ser reajustados em até 2,47% , conforme autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O percentual representa o menor aumento permitido em quase duas décadas e ficou abaixo da inflação acumulada medida pelo IPCA.
O reajuste, no entanto, não é obrigatório — as farmacêuticas podem aplicar percentuais menores ou até manter os preços. Quando aplicado, o aumento pode ser repassado de forma gradual ao longo dos meses seguintes.
Como funciona o teto por faixas
O sistema da CMED divide os remédios em três níveis de preço máximo, de acordo com a concorrência:
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Nível 1 (alta concorrência): medicamentos comuns para hipertensão, colesterol e diabetes, como diuréticos, betabloqueadores, estatinas e metformina. Nessa faixa, o reajuste permitido é maior — justamente por haver mais opções, como os genéricos.
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Nível 2 (concorrência intermediária): tratamentos mais recentes, incluindo alguns antidepressivos e remédios de marca com poucos concorrentes.
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Nível 3 (baixa concorrência): produtos mais complexos ou novos, como determinadas insulinas de longa duração. Aqui, o teto de reajuste é menor.
Impacto para o consumidor
Na prática, quem mais sentirá o efeito ao longo do tempo são os pacientes que dependem de tratamentos contínuos, como hipertensos, diabéticos e pessoas com colesterol alto. Contudo, a forte concorrência entre marcas e a oferta de genéricos ajudam a conter os preços finais. Além disso, descontos em programas de fidelidade e promoções em farmácias podem amenizar o impacto.
As farmácias e a indústria são obrigadas a respeitar o Preço Fábrica (PF) e o Preço Máximo ao Consumidor (PMC) , mantendo listas atualizadas disponíveis ao público. A orientação para o consumidor é pesquisar antes de comprar e, sempre que possível, optar por genéricos ou similares.