11 de abril de 2026
Economia

Feijão, batata, tomate, carne e leite puxam alta; trabalhador compromete 48% do salário com alimentação

Imagem reprodução

O custo para adquirir os alimentos da cesta básica subiu nas 27 capitais brasileiras em março, segundo monitoramento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

São Paulo permanece com o maior valor apurado, de R$ 883,94, enquanto Aracaju tem a cesta mais barata do país, com média de R$ 598,45.


Alimentos que mais pesaram no bolso

Os alimentos com maior impacto no orçamento foram o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite – todos com alta de preços. Os três primeiros tiveram impacto decisivo das chuvas nas principais regiões produtoras.

Na contramão, o açúcar registrou queda no custo médio em 19 capitais, fenômeno relacionado ao excesso de oferta do produto.


Capitais com maiores altas

Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, as cidades com aumento mais expressivo foram:

 
 
Posição Capital Alta (%)
Manaus 7,42%
Salvador 7,15%
Recife 6,97%
Maceió 6,76%
Belo Horizonte 6,44%
Aracaju 6,32%
Natal 5,99%
Cuiabá 5,62%
João Pessoa 5,53%
10º Fortaleza 5,04%

Cestas mais caras do país (valores nominais):

  • São Paulo: R$ 883,94

  • Rio de Janeiro: R$ 867,97

  • Cuiabá: R$ 838,40

  • Florianópolis: R$ 824,35

  • Campo Grande: R$ 805,93

As demais capitais registraram valores médios abaixo dos R$ 800.


Salário mínimo e impacto no bolso do trabalhador

Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00, o trabalhador precisa de cerca de 109 horas para custear a cesta básica. Apesar do alto número, o valor apresentou queda se comparado à renda em relação ao ano passado.

O Dieese também calcula o comprometimento da renda líquida (após desconto de 7,5% da Previdência Social):

“O trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em março de 2026, 48,12% do rendimento para adquirir os itens alimentícios básicos”, aponta o levantamento.

Em fevereiro de 2026, o percentual era de 46,13%. Já em março de 2025, considerando as 17 capitais analisadas na época, o percentual médio ficou em 52,29%.

Tempo médio necessário para adquirir a cesta:

  • Março de 2026: 97 horas e 55 minutos

  • Fevereiro de 2026: 93 horas e 53 minutos

  • Março de 2025 (17 capitais): 106 horas e 24 minutos


Comparação anual (12 meses)

O estudo permite comparar a alta desde o ano passado em 17 capitais (o Dieese não realiza levantamentos mensais em Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luís e Teresina).

Maiores altas em 12 meses:

  • Aracaju: 5,09%

  • Salvador: 4,51%

  • Recife: 4,38%

Quedas no período:

  • Brasília: -4,63%

  • Florianópolis: -0,91%


Feijão: o vilão do momento

O estudo indica que o valor do feijão subiu em todas as capitais.

  • Feijão preto (Sul, Rio de Janeiro e Vitória): alta entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis)

  • Feijão carioca (demais capitais): alta entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém)

Motivos da alta: restrição de oferta, dificuldades na colheita, redução de área plantada na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra. As chuvas prejudicaram lavouras no Paraná e na Bahia.

Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), explicou:

“Quando a gente vê um aumento de preços, tende a pensar que os produtores estão lucrando mais, mas nesses casos menos produtores têm o produto. Quem plantou, por exemplo, 60 sacas, colheu apenas 30 ou 40. O clima prejudicou no Paraná e na Bahia, e a gente tem uma área plantada menor.”

Lüders também destacou que o feijão carioca chega a ser vendido a R$ 350 a saca, enquanto o feijão preto gira em torno de R$ 200 a 210. A expectativa é de inversão de preços ainda em 2026, com o feijão preto ficando mais caro que o carioca.


Salário mínimo ideal

O Dieese também calcula o valor necessário do salário mínimo para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas (alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência).

  • Março de 2026: R$ 7.425,99 → 4,58 vezes o mínimo vigente

  • Fevereiro de 2026: R$ 7.164,94 → 4,42 vezes o mínimo

  • Março de 2025: R$ 7.398,94 → 4,87 vezes o mínimo da época (R$ 1.518,00)


Perspectivas

A estimativa da Conab indica uma produção de feijão superior a 3 milhões de toneladas, com avanço de 0,5% em relação ao ciclo 2024/2025. No entanto, o aumento do custo de fertilizantes e combustíveis ainda não foi sentido pelo setor, o que aumenta a incerteza. Há expectativa de aumento global dos valores dos alimentos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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