Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgados em fevereiro de 2026 mostram que 80,2% das famílias brasileiras estão endividadas – um recorde que voltou a acirrar o debate econômico no país. O número foi usado neste domingo (12) pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para criticar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em vídeo nas redes sociais, o senador atribuiu a alta do endividamento – concentrado em cartões de crédito, cheque especial e consignados – a fatores como inflação persistente, juros elevados, desemprego estrutural e baixo crescimento. “O governo Lula tenta esconder a explosão do endividamento”, afirmou. O parlamentar também rebateu a tese de “herança maldita” ou “choque externo”, classificando a situação como resultado direto de gastos públicos e intervencionismo.
Procurada, a Presidência da República não se manifestou imediatamente sobre as declarações. Especialistas apontam que o endividamento familiar é um fenômeno multifatorial, influenciado por política monetária (taxa Selic), mercado de trabalho e renda, além de fatores globais. A CNC, que divulga regularmente o indicador, recomenda cautela na atribuição de causalidade única.
O governo Lula tem defendido programas de transferência de renda e estímulo ao consumo como forma de reativar a economia, mas críticos apontam que a alta no custo do crédito e a inflação nos alimentos seguem corroendo o orçamento doméstico. A oposição promete levar o tema ao centro do debate eleitoral.