O governo da Argentina anunciou, nesta quarta-feira (6), que o sistema educacional do país passará a ensinar nas escolas públicas que existem apenas dois gêneros – homem e mulher –, com base em critérios biológicos. A medida alinha a Argentina a El Salvador, que já havia adotado política semelhante.
De acordo com a administração argentina, a proposta visa remover conteúdos considerados ideológicos das salas de aula e redirecionar o foco do aprendizado para disciplinas consideradas essenciais, como ciências, biologia, matemática e linguagem.
A justificativa oficial é que a educação deve se pautar em dados científicos e biológicos. O governo argumenta ainda que o Estado não deve interferir na formação moral dos estudantes, papel que caberia prioritariamente às famílias. A máxima “A escola forma, não doutrina” tem sido repetida por autoridades para resumir a nova abordagem.
A decisão, no entanto, já provoca reações divididas. Setores conservadores e grupos alinhados ao governo elogiam a iniciativa, vendo nela uma proteção à neutralidade escolar. Por outro lado, organizações de direitos humanos, especialistas em educação e coletivos LGBTQIA+ criticam duramente a medida, alertando que ela ignora realidades sociais e pode aprofundar exclusão e discriminação contra pessoas trans e não binárias.
A Argentina, ao adotar essa diretriz, reforça um movimento que pode se espalhar por outros países da região, reacendendo o debate global sobre identidade de gênero, liberdade de aprendizado e o papel do Estado na educação.