Uma potente tempestade de inverno que atinge cerca de 240 milhões de pessoas nos Estados Unidos – aproximadamente dois terços do país – tem causado transtornos significativos à comunidade brasileira que reside no país. Com neve intensa, chuva congelante e temperaturas perigosamente baixas previstas para persistirem por vários dias, brasileiros em estados como Maryland, Nova Jersey e Massachusetts relatam um cenário de isolamento, cancelamento de voos e interrupção completa da rotina de trabalho e estudos.
Os relatos enviados à CNN Brasil descrevem uma realidade de preparação e confinamento. Gael de Moraes, economista que vive em Washington, encontrou prateleiras de supermercado esvaziadas, especialmente na seção de congelados, com residentes estocando mantimentos. “As pessoas estão se preparando para ficar em casa uns dois ou três dias”, contou. Na capital americana, as ruas estão desertas e cobertas por uma espessa camada de neve, com sensação térmica que chegou a -12°C no último domingo (25), levando ao fechamento de muitos locais de trabalho.
Em Maryland, a analista financeira Maria Gabriella Muller de Andrade Lodge vive uma situação de “lockdown” involuntário. A empresa responsável por limpar a neve do condomínio não compareceu, deixando a família impossibilitada de sair de casa devido à altura da neve. “Vamos ter de ficar sem ir ao trabalho nos próximos dias. A escola do meu enteado também fechou”, relatou. A solução tem sido ocupar o tempo em casa com atividades como culinária e pintura.
O impacto se estende também aos negócios. Verônica Oliveira, empresária brasileira que tem lojas de alimentos em Upton, a cerca de 30 km de Boston, está com os comércios fechados. Ela relata que já há um acúmulo de cerca de 20 centímetros de neve na frente de sua casa, com previsão de chegar a 60 centímetros. “Ninguém está nas ruas, pois o gelo é perigoso. Apenas veículos que limpam gelo estão circulando”, explicou.
A logística de transporte aéreo também entrou em colapso parcial. Até a última segunda-feira (26), cerca de 17 mil voos haviam sido cancelados em todo o país. A coordenadora de marketing Júlia G., que viajou para um casamento na Flórida, não consegue retornar a Nova York. “Meu voo já foi cancelado três vezes. O próximo voo só deve ser na quarta-feira. Até lá fico sem trabalhar”, lamentou. Autoridades e companhias aéreas orientam os passageiros a aguardar até que as condições climáticas se normalizem e seja seguro voar.
A fotógrafa Vanessa Carvalho, de Nova Jersey, também teve sua rotina profissional interrompida. Para enfrentar o frio extremo ao sair de casa, ela precisou vestir duas calças, três camadas de blusas, meias e colete térmico, além de botas apropriadas. Mesmo assim, sentiu a pele do rosto e as mãos “queimando” com o frio. A situação ilustra os perigos enfrentados mesmo em deslocamentos curtos durante a tempestade, que deve continuar causando transtornos à população nos próximos dias.