A possibilidade de uma paralisação nacional dos caminhoneiros perdeu força nesta quinta-feira (19), após lideranças da categoria decidirem, em assembleia realizada em Santos (SP), pela não adesão à greve. Com o recuo, as rodovias que cortam Goiás seguem com fluxo normal de cargas, sem registro de bloqueios ou impactos no abastecimento.
A decisão ocorre em meio à alta dos combustíveis e ao aumento das tensões internacionais, fatores que têm pressionado os custos do transporte rodoviário em todo o país. Diante desse cenário, representantes do setor optaram por manter o diálogo com o Governo Federal e acompanhar as medidas anunciadas nos últimos dias.
Entre essas ações está a Medida Provisória que reforça o cumprimento do piso mínimo do frete, uma das principais reivindicações da categoria. A norma endurece penalidades para empresas que descumprirem as regras e amplia o controle das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), sob fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Em entrevista ao jornal O Popular, o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Goiás (Sinditac) destacou o peso da categoria na economia nacional. “Os transportadores autônomos são responsáveis por cerca de 86% da movimentação de cargas no país”, afirmou o presidente Vantuir José Rodrigues, ao reforçar o potencial de impacto de uma eventual paralisação.
Apesar do recuo na mobilização, representantes das empresas demonstram preocupação com medidas mais rígidas por parte do Governo Federal. A avaliação é de que restrições severas podem gerar efeitos negativos no abastecimento, inclusive em estados com forte dependência logística, como Goiás.
“Seria uma atitude drástica e provavelmente causaria um dano maior. Os autônomos têm os direitos deles e devem ser respeitados, mas suspender o direito de transportar pode causar um caos”, afirmou ao O Popular o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Goiás (Setceg), Ademar Pereira.
Mesmo com o recuo na paralisação, o cenário segue sensível. A alta do diesel, impulsionada pelo mercado internacional, continua pressionando os custos, enquanto caminhoneiros cobram maior fiscalização e cumprimento das regras já existentes. Embora o tráfego siga normal nas rodovias goianas, o setor permanece em alerta, já que novas tensões podem surgir caso as demandas da categoria não avancem.