O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram nesta quinta-feira (26) os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025. Os dados mostram que a educação básica brasileira registrou 46.018 milhões de estudantes em 2025, uma redução de 1,082 milhão de alunos (-2,29%) em comparação com 2024, quando foram contabilizadas 47.088.922 matrículas. Este é o menor número desde 2021.
Apesar da queda numérica, o governo federal e especialistas interpretam o resultado como um sinal positivo de transformação estrutural na educação do país. De acordo com o coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, Fábio Pereira Bravin, o dado mais relevante é que o atendimento educacional da população está aumentando. A explicação principal para a redução no total de matrículas é a mudança demográfica brasileira, com uma queda expressiva no número de crianças e jovens em idade escolar.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE) apresentados pelo Inep indicam que a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025. Paralelamente, a taxa de atendimento escolar dessa faixa etária subiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, atingindo 39,8%. Na faixa dos 4 aos 17 anos, onde a frequência à escola é obrigatória, o atendimento já chega a 97,2%.
Avanço na distorção idade-série reduz “inchaço” nas escolas
Outro fator apontado pelo MEC para a queda nas matrículas é a melhoria nos indicadores de fluxo escolar. O ministro da Educação, Camilo Santana, explicou que a redução nas taxas de repetência tem um efeito direto nas estatísticas.
“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluam, eu reduzo o número de matrículas”, afirmou o ministro.
Os números confirmam essa tendência. A distorção idade-série no 3º ano do ensino médio, por exemplo, caiu de 27,2% em 2022 para 13,99% em 2025 – uma redução de 61%. Para Santana, os dois fenômenos (queda populacional e correção de fluxo) indicam maior eficiência do sistema educacional brasileiro.
Educação infantil e conectividade registram recordes
Em meio à queda geral, a educação infantil apresenta um avanço significativo. O acesso de crianças de 0 a 3 anos à creche atingiu o maior patamar da série histórica: 41,8%, aproximando-se da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Apenas em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas, com investimentos federais.
A conectividade nas escolas também deu um salto. O percentual de escolas da educação básica com acesso à internet passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025.
A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, reforçou a necessidade de uma análise cautelosa dos dados. “Esse é um dado que merece atenção, mas que precisa ser analisado à luz de outras informações demográficas e educacionais. Embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. O desafio permanece: precisamos garantir que todos tenham acesso, permanência e qualidade”, concluiu.