4 de fevereiro de 2026
Mundo

Chefe da ONU alerta para “colapso financeiro iminente” da organização sem os eua

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um alerta gravíssimo aos países-membros: a organização global corre risco de um “colapso financeiro iminente”. Em uma carta datada de 28 de janeiro, obtida pela agência Reuters, Guterres descreve uma crise de liquidez que se aprofunda, ameaça a execução de todos os programas e pode fazer com que a ONU fique sem dinheiro operacional já em julho de 2026.

A crise tem como pano de fundo o afastamento do principal contribuinte da organização, os Estados Unidos. Sob a administração do presidente Donald Trump, o país cortou financiamentos voluntários e se recusou a honrar pagamentos obrigatórios tanto ao orçamento regular quanto ao de manutenção da paz. Trump, que já descreveu a ONU como não cumprindo seu “grande potencial”, lançou um Conselho da Paz visto por muitos analistas como um mecanismo paralelo que pode minar a autoridade do organismo multilateral.

Os Estados Unidos são responsáveis por 22% do orçamento principal da ONU, seguidos pela China (20%). Guterres afirmou que, no final de 2025, as dívidas pendentes dos Estados-membros atingiram a cifra recorde de US$ 1,57 bilhão, embora não tenha nomeado os países devedores. “Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia, ou os Estados-membros devem reformular fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, declarou o secretário-geral na carta.

Guterres também apontou uma regra orçamentária “kafkiana” — em referência ao autor Franz Kafka, conhecido por retratar burocracias absurdas — que agrava o problema: a ONU é obrigada a devolver aos países, a cada ano, centenas de milhões de dólares em contribuições não gastas. “Em outras palavras, estamos presos em um ciclo kafkiano que exige a devolução de dinheiro que não existe”, escreveu.

Em busca de soluções, Guterres já havia lançado a força-tarefa “UN80” para cortar custos e melhorar a eficiência. Como parte desse esforço, os Estados-membros concordaram em reduzir o orçamento de 2026 em cerca de 7%, para US$ 3,45 bilhões. No entanto, essas medidas de austeridade, por si só, não são suficientes para sanar a crise de liquidez, que coloca em risco atividades essenciais da organização, desde a promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento até a coordenação de ajuda humanitária e as operações de paz.

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