17 de março de 2026
Goiânia

City Bike completa 10 meses após anucnio de Mabel, e o Projeto não sai do papel

Imagem Prefeitura de Goiânia

Dez meses depois do anúncio feito com pompa pelo prefeito Sandro Mabel, o projeto City Bike, que prometia revolucionar a mobilidade em Goiânia com bicicletas elétricas integradas ao transporte coletivo, ainda não saiu do papel. O que era para ser uma solução rápida para conectar os terminais de ônibus aos bairros virou um caso de promessa não cumprida e paciência esgotada para quem depende do transporte público.

Em maio de 2025, durante o programa “Café com CBN”, Mabel detalhou uma proposta inovadora: o usuário do Bilhete Único poderia retirar uma bicicleta elétrica no terminal, utilizá-la por até 12 horas e devolvê-la no dia seguinte, sem custo adicional. A empolgação inicial previa um projeto-piloto no Terminal Recanto do Bosque com 150 bicicletas já na primeira quinzena de junho daquele ano. As obras nos bicicletários chegaram a começar e os testes com o aplicativo da RMTC estavam em andamento.

No entanto, em julho de 2025, a prefeitura anunciou o primeiro adiamento. Agora, em março de 2026, a justificativa da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito é de que o projeto esbarrou em “dificuldades críticas na cadeia de suprimentos”. O fornecedor original não conseguiu entregar as bicicletas, forçando a administração a buscar alternativas no mercado internacional. A nova (e incerta) previsão de implantação ficou para o “início do segundo semestre de 2026”.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a demora é um entrave para a transição energética da cidade. O pesquisador Fred Le Blue, autor do estudo “Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Educação no Trânsito”, lembra que a topografia plana de Goiânia é um convite ao uso de bicicletas, mas alerta: “Não basta entregar as bicicletas; é preciso garantir a criação e manutenção de ciclovias e uma educação de trânsito onde o ciclista seja respeitado”.

Enquanto isso, os desafios da mobilidade se avolumam. Dados recentes mostram um aumento de 42% nas infrações por uso indevido de ciclofaixas, e a Região Metropolitana registrou 1.420 mortes no trânsito entre 2018 e 2022. O projeto City Bike, ainda no papel, segue como uma esperança para muitos que veem na integração dos modais uma forma de fugir dos engarrafamentos e contribuir para uma cidade mais sustentável.

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