Um levantamento realizado pelo jornal O Globo revela que deputados e senadores de esquerda atuaram para derrubar trechos de medidas provisórias (MPs) e decretos do governo Bolsonaro que dificultavam descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Essas mudanças teriam aberto caminho para um esquema de desvio de R$ 6,3 bilhões, descoberto pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Flexibilização de Prazos e Controles
Segundo a apuração, os parlamentares não apenas lideraram esforços para ampliar prazos de cadastro de entidades associativas — que realizavam os descontos —, mas também enfraqueceram mecanismos de fiscalização. A reportagem, assinada por Malu Gaspar, mostra que, na época, o Palácio do Planalto acatou um acordo com líderes do Congresso para não vetar emendas propostas pela oposição, temendo que a rejeição aos vetos levasse a uma perda total de controle sobre o cadastramento dessas entidades.
Esquema Bilionário e Investigação
As brechas criadas permitiram que associações e sindicatos realizassem descontos não autorizados em benefícios previdenciários, culminando em um rombo de R$ 6,3 bilhões. A PF e a CGU identificaram que parte desses recursos foi desviada por meio de fraudes, com entidades usando dados de aposentados sem consentimento.
Repercussão e Responsabilização
O caso reacende o debate sobre a fiscalização de descontos em benefícios sociais e a atuação de parlamentares na flexibilização de regras. Procurados pela reportagem, representantes das bancadas de esquerda não se manifestaram até o fechamento desta edição.
Enquanto isso, o INSS tenta recuperar os valores desviados e notifica beneficiários para que verifiquem possíveis cobranças indevidas em seus benefícios.
(Com informações de O Globo)