Em um cenário de incertezas sucessórias, uma pesquisa inédita divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Ranking dos Políticos traça um raio-x da direita brasileira às vésperas da eleição presidencial de 2026. Com a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa — atualmente inelegível —, o campo conservador vive um processo de transição sem um nome hegemônico, mas com a força do clã Bolsonaro ainda em evidência.
O levantamento, realizado entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, ouviu 108 deputados federais e 30 senadores. Quando questionados espontaneamente sobre um nome de direita para 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece como o mais citado, liderando tanto na Câmara (48,1%) quanto no Senado (47,7%).
Entretanto, a pesquisa revela uma complexidade no tabuleiro político. Enquanto Flávio domina as intenções entre parlamentares que se identificam estritamente com a direita (95%), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ganha força quando o recorte é ampliado.
No quesito “capacidade de unificar a direita em uma chapa única”, Tarcísio supera o senador, especialmente no Senado, onde aparece com 36,7% das menções contra 23,3% de Flávio. Para Luan Esperândio, diretor de operações do Ranking dos Políticos, “Tarcísio tem a vantagem de dialogar com o centro, o que amplia seu potencial eleitoral e a competitividade contra o atual governo”.
Apesar da existência de nomes fortes, a maioria absoluta dos parlamentares (71,3% dos deputados e 70% dos senadores) acredita que a direita chegará fragmentada ao pleito de outubro, com múltiplas candidaturas. O levantamento aponta ainda uma mudança no cenário desde novembro de 2025, quando Tarcísio liderava isoladamente com quase 49% das intenções. A ascensão de Flávio nos últimos meses sinaliza um movimento do clã Bolsonaro para manter o controle da narrativa sucessória, mesmo diante da resistência de setores do centro e da esquerda, que enxergam no governador paulista um perfil mais moderado.
Com informações da Revista Oeste.