4 de fevereiro de 2026
Goiânia Saúde

Paralisação de médicos credenciados tensiona rede de saúde de Goiânia

Foto: Reprodução/Instagram/Sindsaúde-GO

Sindicatos denunciam falta de insumos, equipamentos obsoletos e precarização; Prefeitura nega atrasos salariais e minimiza alcance do movimento

A rede pública de saúde de Goiânia amanheceu sob tensão nesta terça-feira (13), com uma paralisação de médicos e outros profissionais credenciados. O movimento, organizado pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) e pelo SindSaúde, expõe uma crise de gestão e denuncia o sucateamento dos serviços.

De acordo com os sindicatos, os profissionais enfrentam um cenário crítico. Luzineia Vieira, presidente do SindSaúde, descreveu as unidades em estado de “guerra”, com falta de medicamentos básicos, insumos elementares e aparelhos de raio-X tão defasados que o sistema não permite o repasse dos resultados aos médicos. A categoria também alega que salários estão retidos desde novembro.

“Os profissionais não conseguem sequer atestados para cuidar dos próprios filhos quando adoecem”, afirmou Luzineia, destacando o adoecimento da categoria. Entre as principais reivindicações está a realização urgente de concurso público para reduzir a precarização dos contratos temporários. Os sindicatos também criticam o fechamento de postos de atendimento sem discussão prévia, o que, segundo eles, sobrecarrega as unidades que permanecem abertas.

Prefeitura contesta versões e anuncia mudança no calendário de pagamentos
Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia emitiu uma nota tentando acalmar os ânimos. A pasta garantiu que não há atrasos nos repasses e que o pagamento segue a regra do 20º dia útil do mês subsequente. No entanto, anunciou uma mudança: para dar maior previsibilidade, a data de pagamento será alterada para o dia 25 de cada mês.

A secretaria também defendeu o novo processo de credenciamento, afirmando que os valores dos plantões foram adequados “à realidade do mercado” após um estudo de impacto financeiro que avaliou a região metropolitana.

Sobre a falta de insumos, a SMS alegou ter adquirido e distribuído mais de 200 tipos de medicamentos em 2025 para sanar as faltas. A gestão também citou melhorias infraestruturais, como a entrega de mais de 3 mil novos móveis e serviços de manutenção predial em mais de 40 unidades no ano passado.

Quanto ao alcance da paralisação, a Prefeitura minimizou a adesão, pontuando que o movimento estaria concentrado principalmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim América. A SMS reafirmou que os atendimentos de urgência e emergência foram mantidos em todas as unidades, dada a natureza essencial do serviço.

O impasse entre a categoria e a gestão municipal coloca em evidência os desafios crônicos da saúde pública na capital, com profissionais exigindo condições dignas de trabalho e o poder público buscando apresentar contrapontos e ajustes administrativos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *