Um conflito trabalhista envolvendo uma empresa terceirizada da Equatorial Goiás ameaça causar interrupções no fornecimento de energia elétrica em pleno período de festas de fim de ano. Segundo alerta do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás (STIUEG), mais de 200 funcionários da DOLP Engenharia cruzaram os braços devido ao atraso no pagamento de salários, vale-alimentação e 13º salário.
O presidente do sindicato, João Maria, fez um alerta dramático: “Goiás pode passar o Ano-Novo no escuro”. O risco de falta de atendimento a ocorrências, como falta de energia, é ainda maior durante o período chuvoso, quando as intempéries costumam aumentar as interrupções no serviço.
De acordo com o sindicato, as paralisações já afetam bases operacionais em municípios como Catalão, Caldas Novas, Morrinhos, Itumbiara e Rio Verde. Em Catalão, cerca de 120 profissionais teriam aderido ao movimento.
Conflito financeiro entre empresas
A raiz do problema estaria no fluxo de pagamentos entre a concessionária e a prestadora de serviços. Fontes indicam que a DOLP Engenharia tem cerca de R$ 10 milhões a receber da Equatorial Goiás por serviços já prestados. A concessionária, no entanto, rebate afirmando que “não possui débitos vencidos” e que os pagamentos seguem rigorosamente as cláusulas contratuais e prazos específicos para fechamento de faturas.
O sindicato argumenta que a discussão contratual entre as empresas não pode prejudicar os trabalhadores, que dependem dos salários para o sustento de suas famílares, especialmente no fim de ano.
Justiça determina retenção de valores
Diante da gravidade da situação, a Justiça do Trabalho determinou a retenção judicial de R$ 4 milhões que a Equatorial deve à DOLP. A medida tem como objetivo garantir o pagamento imediato dos empregados e evitar que a paralisação, que já afeta o serviço essencial, se prolongue.
A própria Equatorial Goiás reconheceu, em comunicado, que a interrupção dos serviços da terceirizada pode afetar o atendimento a ocorrências emergenciais em até 38 municípios goianos. A concessionária afirma estar adotando “medidas para mitigar os impactos” e garantir a continuidade do serviço, mas não detalhou quais seriam essas medidas ou prazos para a resolução do conflito trabalhista.