Uma pesquisa da AtlasIntel revela um retrato amargo da Páscoa de 2026 no Brasil: mais da metade dos brasileiros pretende comemorar a data com simples barras de chocolate, em vez dos tradicionais ovos industrializados.
O levantamento, realizado entre 18 e 30 de março com 2.154 pessoas em todo o país, mostra que 54,7% dos entrevistados pretendem optar por barras de chocolate. Os ovos industrializados aparecem em segundo lugar, com 44,7% das intenções, enquanto os ovos artesanais foram citados por 34,2%. Bombons também estão no radar de 45,3% dos consumidores.
A pesquisa indica ainda que 74,7% dos brasileiros pretendem celebrar a Páscoa, e o chocolate segue como item central para 64% deles.
Alta de quase 25% no preço do chocolate
O principal motivo para a troca do tradicional ovo pela barra é o forte aumento nos preços. Dados do IPCA-15 do IBGE apontam que o preço do chocolate acumula alta de quase 25% nos últimos 12 meses – elevação muito superior à inflação oficial do período.
Essa disparada reflete os efeitos da crise internacional do cacau, que pressionou os custos da matéria-prima. O resultado, segundo a pesquisa, é uma Páscoa mais modesta, especialmente para as camadas de menor renda, que abandonam o símbolo clássico da data em favor de opções mais baratas.
Críticas ao governo
Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta críticas por não conseguir conter o custo de vida de itens básicos da cesta de consumo popular. A carestia persistente em produtos como chocolate expõe as dificuldades da gestão econômica em proteger o poder de compra das famílias brasileiras.
Analistas apontam que, apesar de sinais de recuperação em alguns setores, a inflação de alimentos e bens essenciais continua pesando sobre o dia a dia, forçando adaptações como essa na Páscoa.
O levantamento da AtlasIntel reforça um padrão já observado em outras pesquisas: o brasileiro resiste em abrir mão do chocolate na Páscoa, mas o formato tradicional perde espaço diante da realidade econômica. A data que simboliza renovação chega este ano com um gosto mais austero para a maioria da população.