A crise no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de petróleo, já começa a afetar diretamente a agropecuária brasileira, com reflexos mais intensos em Goiás. O aumento no preço do diesel e a redução na oferta de fertilizantes, especialmente a ureia, elevam os custos de produção no campo e pressionam a rentabilidade dos produtores, segundo especialistas do setor.
De acordo com o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás, o engenheiro agrônomo e advogado Fernando Barnabé, o cenário exige atenção imediata. “Goiás é um dos principais produtores de grãos do país, e qualquer aumento no custo de insumos impacta diretamente o produtor. A alta do diesel e dos fertilizantes pode reduzir margens e afetar toda a cadeia produtiva”, afirma.
A instabilidade no estreito localizado entre o Golfo Pérsico e o restante do mundo compromete o fluxo de petróleo e derivados, elevando os preços internacionais do combustível. No Brasil, onde o transporte rodoviário é predominante, isso encarece o frete e dificulta o escoamento da produção agrícola.
Além disso, o bloqueio parcial da região afeta a produção e o transporte de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, essencial para culturas como milho e soja, duas das principais commodities produzidas em Goiás, que ocupa posição de destaque no ranking nacional.
Impacto direto no campo
O aumento dos custos já é sentido em diferentes etapas da produção. O diesel mais caro encarece o uso de máquinas agrícolas e o transporte da safra. Já a alta nos fertilizantes eleva o investimento necessário para manter a produtividade.
Segundo Barnabé, o efeito é em cadeia. “Quando o produtor paga mais caro para produzir, isso pode chegar ao consumidor final. Não é imediato, mas existe o risco de aumento no preço dos alimentos”, explica.
Outro ponto de preocupação é a alimentação animal. A ureia também é utilizada na nutrição de bovinos, e sua alta pode impactar a produção de carne, leite e derivados, setores relevantes para a economia goiana.
Logística e exportações sob pressão
O cenário global de incerteza também afeta o transporte marítimo, com aumento nos custos de frete internacional. Isso pode dificultar as exportações brasileiras, especialmente de soja e milho, reduzindo a competitividade no mercado externo.
Para contornar o problema, empresas já buscam rotas alternativas, mas as opções ainda são limitadas e mais caras, o que reforça a pressão sobre o setor.
Crise global com reflexos locais
A tensão no Estreito de Ormuz se intensificou após ações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, transformando a região em um dos principais focos de instabilidade global. O local é estratégico porque concentra uma das maiores rotas de escoamento de petróleo do mundo.
Mesmo distante geograficamente, Goiás sente os efeitos de forma direta. “Hoje, o agro está totalmente conectado ao cenário internacional. Uma crise dessa magnitude impacta o produtor aqui no estado”, destaca Barnabé.
Perspectivas
Especialistas apontam que, caso a crise se prolongue, os impactos tendem a se intensificar, com maior pressão sobre custos, produção e preços dos alimentos. A recomendação é que produtores redobrem o planejamento e acompanhem de perto o cenário internacional.
Enquanto isso, o setor aguarda medidas que possam amenizar os efeitos, como políticas de apoio e alternativas para garantir o abastecimento de insumos essenciais.
AEAGO divulga agenda de eventos e visitas técnicas para 2026
A Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás e a AEAGO Jovem anunciaram a programação de atividades para 2026, com foco em capacitação profissional, troca de experiências e fortalecimento do networking no agronegócio. A agenda reúne eventos de grande relevância no setor, além de visitas técnicas que prometem aproximar os participantes das principais tendências e inovações do campo.
Com atividades ao longo de todo o ano, a iniciativa busca impulsionar a formação contínua de estudantes e profissionais da área, promovendo integração entre mercado, academia e instituições.
Confira a programação:
06 a 10 de abril
Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO)
Visite o stand da AEAGO em parceria com o CREA/Mútua
25 de abril
Visita técnica especial em Goiânia
Exploração da Feira de Orgânicos e visita à propriedade do professor Paulo Marçal
20 de maio
AgroBrasília
Um dos maiores eventos do agronegócio brasileiro
22 de maio
Pecuária de Goiânia
Foco nas inovações da pecuária
01 a 05 de junho
Congresso de Agronomia na AgroCapital, em Goiânia
Stand próprio da AEAGO
18 de junho
Agro Centro-Oeste Familiar UFG
Debates sobre agricultura familiar e suas potencialidades
18, 19 e 20 de agosto
Congresso de Aviação Agrícola e Drones, no Aeroporto de Goianápolis (GO)
Stand exclusivo da AEAGO com apresentação de novas tecnologias
Segundo a entidade, a programação foi pensada para oferecer um roteiro completo de atualização profissional ao longo do ano. A expectativa é reunir estudantes, engenheiros agrônomos e demais profissionais interessados em acompanhar de perto as transformações do setor.
A AEAGO reforça que a participação nos eventos é uma oportunidade de ampliar conhecimentos, estabelecer conexões estratégicas e agregar valor à trajetória no agronegócio.
SOBRE A AEAGO
Fundada em 1965, a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO) é uma entidade civil, sem fins econômicos, religiosos ou político-partidários, que atua há mais de seis décadas em defesa da valorização da profissão e do fortalecimento do agronegócio goiano e brasileiro. Com sede em Goiânia, a AEAGO congrega engenheiros agrônomos de diversas áreas, promovendo o desenvolvimento técnico e científico da categoria e contribuindo com soluções para os desafios socioeconômicos do meio rural.
A entidade mantém diálogo permanente com os poderes públicos, apoiando a elaboração e execução de projetos voltados ao desenvolvimento agropecuário do Estado de Goiás e do País. Entre seus compromissos, estão a defesa dos interesses da classe, o cumprimento do Código de Ética profissional e o incentivo à adoção de práticas sustentáveis e inovadoras.
Mais que uma associação profissional, a AEAGO também promove integração, convivência social e estímulo cultural entre seus associados e familiares, reafirmando seu papel como referência no setor agronômico e como voz ativa na construção de um agronegócio mais sustentável, ético e inclusivo.
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