19 de maio de 2026
Artigo Goiânia

JARDINS DE CHUVA E O PARQUE LINEAR BOTAFOGO: soluções para a Marginal

Imagem Jornal O Popular

A erosão registrada após a chuva em Goiânia no início de fevereiro de 2026 confirma a avaliação de que as cancelas são apenas uma medida paliativa. O episódio de desmoronamento da margem da Marginal Botafogo revela, tecnicamente, que a capacidade estrutural da via é precária por problemas de drenagem urbana, gestão territorial e requalificação infraestrutural.

Sem uma intervenção mais profunda, existe risco de novas erosões ou até de interdições frequentes da via. Nesse sentido, o “cancelamento” das cancelas por alguns grupos como o GYN 2030 foi legítimo, porque quase toda a extensão da marginal está à beira do abismo. A erosão já estava anunciada, assim como as estruturas de viadutos e pontes, que por sorte, não caíram dessa vez.

Esse novo capítulo revela que o recuo entre a pista e o canal é inócuo e que o canal, em função também dos terrenos grilados, doados ou vendidos às margens da Marginal, foi projetado de forma mal dimensionada em relação ao volume de água de chuvas em um contexto de franca impermeabilização do solo. As cancelas seguem sendo o equivalente à fita listrada amarelo e preta da vigilância sanitária, indicando que algo da política pública de gestão da infraestrutura, da mobilidade e da drenagem ruiu.

O problema da marginal revela problemas multifatoriais que passam por falhas de planejamento urbano de drenagem, uso do solo, zeladoria e educação ambiental. O equipamento público virou uma marginal de Babel que pode tombar a qualquer momento e por qualquer lado.

A opção mais viável, doravante, que o nosso grupo de desenvolvimento sustentável GYN 2030 tem defendido, é a de construir jardins de chuva no local, transformando a Marginal num parque linear descanalizado e despoluído que permita a água voltar a fazer parte da “terra das águas” (Goiânia), com base no conceito de “cidade espongiária”. Com isso resgatamos também o projeto original para o sítio, conforme definido pelo próprio urbanista fundador da cidade, Attílio Corrêa Lima.

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